A Usina de Tratamento de Lixo de Fernando de Noronha recebeu uma visita técnica nesta quarta-feira (16). Profissionais da Administração da Ilha estiveram no local com especialistas cariocas que vão realizar um trabalho voluntário e indicar formas para melhorar a questão dos resíduos na ilha.

Representantes das empresas de negócios de impacto Menos 1 Lixo e Iônica, que fazem pesquisa e desenvolvimento de projetos de sustentabilidade, os técnicos vão indicar um planejamento estratégico para ajudar a ilha a realizar ações de comunicação. O objetivo é garantir a preservação do meio ambiente.

Grupo recebeu informações sobre o tratamento do lixo da ilha — Foto: Ana 

“Nós vamos indicar formas de sensibilização, engajamento e mobilização para garantir o cumprimento do decreto que proíbe a entrada de descartáveis em Noronha”, disse o diretor da Iônica, João Bernardo.

“Se não mudarmos o nosso consumo de descartável, vamos ter mais plástico do que peixe nos oceanos em 2050. A ONU [Organização das Nações Unidas] me convidou para ser defensora da campanha Mares Limpos no Brasil. Nós recebemos o convite para ajudar na educação ambiental pelo ator Bruno Gagliasso e pelo administrador da ilha, Guilherme Rocha. Noronha pode ser exemplo para o mundo”, disse a diretora da empresa Menos 1 Lixo, Fernanda Cortez.

Decreto

No dia 13 de dezembro de 2018, o administrador de Fernando de Noronha, Guilherme Rocha, assinou um decreto proibindo a entrada de materiais descartáveis na ilha, como copos, garrafas, canudos e sacos plásticos. A proibição começa a vigorar em 13 de abril e, até essa data, a população deve receber orientações sobre essa norma.

“Essa é uma experiência totalmente pioneira no Brasil. Nós acreditamos que vai acontecer por conta do engajamento da Administração da Ilha, o que é raro de ver, e também pela participação dos representantes da sociedade civil, que estiveram em uma reunião conosco e todos estão num propósito comum de resolver os problemas da geração de lixo”, contou João Bernardo.

O grupo observou cada passo do tratamento dos resíduos realizado em Noronha. A ilha produz uma média de 14 toneladas de lixo por dia. O material é separado e o lixo orgânico, como restos de comida, vira adubo. Os resíduos inorgânicos, como latas e papelão, são separados e enviados de voltar para o continente em embarcações.

Através de um plano de ação, serão estimulados trabalhos de educação ambiental com os estudantes, com donos de pousadas e com profissionais dos mercados sobre a proibição do uso de descartáveis.

“O maior desafio é educação e comunicação. Primeiro é preciso conscientizar quem vai ao supermercado de que dá para levar a própria sacola. Nas casas, é importante separar o lixo seco do molhado. O trabalho deve ser feito em diversas áreas, é preciso uma mudança de comportamento”, disse a diretora da Iônica, Úrsula Araújo.

A Administração da Ilha pretende realizar palestras indicando formas de adequação ao decreto. “A Vigilância Sanitária e a Superintendência de Meio Ambiental vão fazer encontros para grupos específicos como restaurantes, mercados e donos de pousadas dando sugestões de substituições”, afirmou o superintendente de Saúde de Noronha, Fernando Magalhães.

Ainda segundo o superintendente, o primeiro treinamento acontece em fevereiro. A casa semana, ocorrem palestras com diversos setores para tirar dúvidas e dar alternativas ao uso de descartáveis.

Fonte: https://glo.bo/2svHVi9